Soneto de Quarentena
Tal como no soneto de Correia
Sanguínea e fresca raia a madrugada
E eu, igualmente a pomba despertada
Acordo em meio ao mal que nos rodeia.
Tendo sangue pulsando em minhas veias
Em um dia qualquer, manhã gelada
Eu concebo agora nova toada
Construção tênue de uma nova teia.
No azul da adolescência os sonhos brotam
Mas em meu coração eles capotam
Tal qual a pomba atingida, sem paz.
Dias de quarentena nos esgotam
Céleres pensamentos bisbilhotam
O que há de vir desse mais novo cais?
Prof. Rodrigo Andrade
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