quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Poema - Professor Rodrigo Andrade

Soneto de Quarentena

 

Tal como no soneto de Correia

Sanguínea e fresca raia a madrugada

E eu, igualmente a pomba despertada

Acordo em meio ao mal que nos rodeia.

 

Tendo sangue pulsando em minhas veias

Em um dia qualquer, manhã gelada

Eu concebo agora nova toada

Construção tênue de uma nova teia.

 

No azul da adolescência os sonhos brotam

Mas em meu coração eles capotam

Tal qual a pomba atingida, sem paz.

 

Dias de quarentena nos esgotam

Céleres pensamentos bisbilhotam

O que há de vir desse mais novo cais?

 

Prof. Rodrigo Andrade


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